A agência da ONU (Organização das Nações Unidas) para o comércio e o desenvolvimento alertou nesta terça-feira (30) que, embora a reabertura do estreito de Hormuz traga alívio imediato aos mercados de energia, as economias vulneráveis continuam expostas ao risco de aumentos prolongados nos custos dos alimentos e dos combustíveis.
Os sistemas de alimentos e transporte provavelmente levarão mais tempo para se recuperar do que os mercados de energia, já que as cadeias de abastecimento interrompidas precisam de mais tempo para se restabelecer após mais de 100 dias de interrupção no transporte marítimo por essa via navegável estratégica, afirmou a UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento) em um novo relatório.
O estreito, que normalmente transporta cerca de 20% dos suprimentos globais de petróleo e gás, ficou praticamente paralisado durante o conflito desencadeado pelos ataques conjuntos dos EUA e de Israel ao Irã que começou em 28 de fevereiro.
Embora o petróleo Brent tenha caído drasticamente para cerca de US$ 73 por barril, próximo aos níveis anteriores ao conflito, após o acordo provisório entre os EUA e o Irã, a UNCTAD afirmou que os custos mais elevados de combustível, gás e fertilizantes podem continuar a se refletir na produção agrícola, nos custos de transporte e nos orçamentos das famílias.
As economias vulneráveis continuam particularmente expostas a choques nos preços do petróleo e dos fertilizantes, enquanto os preços dos alimentos persistentemente altos podem exercer ainda mais pressão sobre as famílias mais pobres. A UNCTAD afirmou que um aumento de 5% nos preços dos alimentos pode elevar significativamente o risco de emaciação infantil.
A agência identificou 61 economias vulneráveis expostas a choques nas importações de petróleo e cereais relacionados à interrupção no estreito de Hormuz. Entre elas está Cabo Verde, que depende fortemente de combustível importado e tem enfrentado aumento nos custos de eletricidade, transporte e alimentos, que podem continuar mesmo após a estabilização dos mercados de energia.
Países importadores de alimentos básicos, como o Iêmen, também permanecem altamente vulneráveis, pois sua frágil economia não está preparada para absorver os preços mais altos dos grãos e os custos de transporte. A UNCTAD pediu apoio internacional para ajudar os países mais expostos a se recuperarem dos choques recentes.
Também afetado pelo bloquei em Hormuz, o comércio de GNL (gás natural liquefeito) deve permanecer estável neste ano, segundo a Shell, desde que o fluxo volte ao normal nos próximos três meses.
A petrolífera acredita que o crescimento será retomado em 2027 e que a demanda aumente de forma acentuada até 2050, impulsionada principalmente pela Ásia, à medida que os países buscam alternativas de menor emissão ao carvão e os data centers aumentam a demanda por energia, de acordo com a perspectiva anual da empresa para o GNL.
“O conflito causou um choque em todo o sistema, com perturbações se espalhando por todos os segmentos da economia, mas o setor de GNL se mostrou resiliente e capaz de se adaptar às mudanças nas condições de mercado”, afirmou Cederic Cremers, presidente de gás da Shell.
