Queila C. Martines Publicado em 16/09/2026, às 07h00
Muitas mulheres não chegam ao poder para administrar a normalidade, chegam para reconstruir o que a guerra, a corrupção ou a crise deixaram em ruínas. Ao redor do mundo, é comum ver nações recorrerem a uma liderança feminina justamente nos momentos mais difíceis de reconstrução, como se reconhecessem, ainda que tarde, a capacidade que as mulheres têm de reerguer o que parecia perdido.
A Bíblia fala repetidamente dessa restauração. Deus promete, pelo profeta Joel, restituir os anos que o gafanhoto comeu (Joel 2:25), reconstruindo aquilo que parecia consumido sem volta. Essa promessa não é apenas pessoal, ela também se manifesta em nações inteiras, por meio de líderes dispostos a recomeçar do zero.
Foi assim com Ellen Johnson Sirleaf. Depois de quatorze anos de guerra civil que devastaram a Libéria, o país precisava de reconstrução em praticamente todas as áreas: economia, infraestrutura, confiança social. Em 2006, Ellen assumiu a presidência como a primeira mulher eleita democraticamente para governar um país africano, apoiada por um movimento histórico de mulheres liberianas que lutaram pela paz.
Antes de chegar lá, ela já havia sido presa, perseguida e exilada por se posicionar contra governos autoritários. Sua liderança foi marcada pelo perdão de parte da dívida externa do país, por reformas no sistema jurídico e por um compromisso declarado com a transparência. Em 2011 recebeu o Prêmio Nobel da Paz, reconhecendo o papel das mulheres na reconstrução daquela nação.
O profeta Isaías fala de reconstruir ruínas antigas, de levantar os alicerces de outras gerações (Isaías 58:12). Ellen viveu isso de forma literal: assumiu um país em escombros e, junto de outras mulheres, ajudou a reerguer o que parecia irrecuperável.
Talvez você esteja hoje diante de algo que parece ruína: um relacionamento, um projeto, uma fase da vida. A história de Ellen nos lembra que reconstrução não exige que tudo esteja perfeito para começar, exige apenas disposição para começar em meio ao que restou.
Mulheres curadas mudam destinos.

